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A morte do gourmet

janeiro 20, 2010

Degustar é um ato de prazer, descrever esse prazer é um fato artístico, mas a única verdadeira obra de arte, definitivamente, é o festim do outro.
Em A morte do gourmet, de Muriel Barbery

Calma, isso não é uma nota de falecimento. É, na verdade, justamente o oposto. Escrito em 2000 – mas traduzido para o português apenas em 2009 – A morte do gourmet é o romance de estréia da francesa Muriel Barbery. E que estréia!

A morte do gourmet, de Muriel Barbery. Editora Companhia das Letras. 126 páginas.

Embora seu grande romance tenha sido A elegância do ouriço (2006) – vendendo milhões na França, traduzido no Brasil em 2008 e adaptado para o cinema em 2009 –  A morte do gourmet é, literalmente, uma obra deliciosa. Nela, a narrativa em primeira pessoa vai se alternando entre o crítico que está para morrer e todas as pessoas e objetos ao seu redor, com um conteúdo de ares filosóficos e um estilo entre o singelo e o super-sofisticado.

Mesmo que seu trabalho seja traduzir em palavras as sensações da alimentação, Pierre Arthens não consegue dar nome justamente a um sabor esquecido, mas que ele sabe ser importante. “A questão não é comer, não é viver, é saber por quê”, pondera o atormentado crítico. Ao mesmo tempo em que sofre com recordações em seu quarto, Pierre é analisado por todos que o cercam, que tentam redescobrir nele o pai e o marido que ele apagou em prol do crítico.

Descobrir e nomear o sabor escondido parece ser a grande busca do livro. Comer, com Arthens, e viver, junto com os que o cercam, importam menos que a degustação, esse saber que termina na deglutição; assim como ler com Barbery, degustando pessoas, memórias, comidas, sejam elas doces ou amargas.

PS: Muriel vive agora no Japão com seu marido, Stéphane.  Este nos brinda com fotografias lindíssimas, que valem a pena conferir em http://muriel.barbery.net/

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2 Comentários leave one →
  1. lupercio peres permalink
    janeiro 26, 2010 08:15

    Bom diaeu visito quase que assiduamente Belo Horizonte,e fiquei impressionado com os produtos que a Verdemar oferece,ela é rica
    em produtos,que além de qualidade superior.A minha pergunta é
    por que nao term em são paulo uma casa da verdemar com todos esses
    produtos,aqui em são paulo eu acho que a gastronomia não tem nada
    a perder,por favor enviem uma resposta.

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